Não é bem assim...

Quem sabe o Brasil possa ficar mais “chileno” quando crescer

   Por Lucia Vasconcellos Abbondati & Lucio Abbondati Junior  
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Durante algum tempo ficamos calados, em choque, com tantos descalabros, vilanias, corrupção e escândalos que se avolumam nos jornais, na TV, em toda mídia e que nos inundam de indignação e impotência. É tamanha a desordem pública e o descaramento daqueles que deveriam servir à nação e a seu povo, que ficamos sem ação. É comum ouvirmos que corrupção existe no mundo todo; que tudo isso é normal, que sempre foi assim e que agora está até melhor, mais transparente. Tais argumentos são tão equivocados e em tantos níveis diferentes que daria um livro rebatê-los.

Nós que trabalhamos com ferramentas lúdicas e interativas na educação e na saúde desde 1989, estivemos em outubro passado na Alemanha para conhecer a Spiel 2014 - Internationale Spieltage, maior feira de jogos de mesa e tabuleiro do mundo, voltados para todos os públicos, principalmente adultos e famílias – crianças com seus pais e avós, que brincam juntos – um espetáculo! Foi muito mais surpreendente do que havíamos imaginado e, certamente, falaremos da feira num próximo post.

O que nos encantou muitíssimo foram as cidades alemãs nas quais passamos alguns dias: Frankfurt e Düsseldorf. Lá, por exemplo, não existem engarrafamentos: o sistema de transporte coletivo é tão eficiente que mostradores nos pontos de ônibus e strassenbahn (trem elétrico de superfície), sinalizam em quantos minutos eles vão chegar; e chegam, pontualmente. A pluralidade de veículos: bicicletas, carros, ônibus, metrô, strassenbahnen e trens, e sua competente coordenação, evitam os engarrafamentos.

Ambas as cidades tem, mais ou menos, a população de uma cidade como Niterói, no Rio de Janeiro. Entretanto, Niterói tem engarrafamentos diários e não apenas nos horários de pico.

Lá as ruas são limpas, todos os serviços funcionam bem, as pessoas são educadas e corteses, e de muitas cores e origens diferentes.

Amamos a Alemanha que viemos a conhecer nestas duas cidades e pretendemos voltar (em relação a Essen e Colônia, estivemos de passagem, por isso não as avaliamos).

Os mais céticos dirão que a Alemanha tem uma história muito mais antiga do que a nossa, que a Europa, por si só, já é melhor e por aí vai. Pode ser, mas devemos lembrar também que a Europa (e a Alemanha, inclusive), estão em recessão há 7 anos, desde 2008.

No ano passado o índice de crescimento da Alemanha foi igual ao do Brasil – 0,1 – só que lá tudo continua funcionando bem e aqui...

Aí então, resolvemos procurar pela América Latina, outras referências para comparação.

Em nosso aniversário de casamento, 27 anos em janeiro, decidimos ir ao Chile, num pacote, para conhecer Santiago e passear por Viña Del Mar e Valparaíso. Venezuela, Argentina e afins nem pensar, basta o que já temos por aqui.

Nossa primeira grande emoção foi avistar entre as nuvens sobre os Andes, o cume do Aconcágua. Foi um sentimento misterioso, de que realmente aquilo que se vê nos mapas é de verdade. Muito lindo!

No Chile descobrimos um povo pensante, exigente do bom trabalho de seus governantes, cioso de suas responsabilidades e de seus direitos e, inacreditavelmente para nós, orgulhoso de sua polícia – los carabineros.

Caminhar por Santiago, seja de dia ou de noite, visitar praças sem grades, ou seu belíssimo Museo de Arte Precolombino restaurado e impecável, foi uma agradabilíssima surpresa. Amamos o que conhecemos do Chile e pretendemos voltar.

Assim ficamos com aquela sensação de que senão podemos almejar a organização e eficiência da Alemanha, do povo germânico e dos imigrantes que o compõem, quem sabe, podemos sonhar com algo mais próximo, apesar da língua um pouco diferente e dos muitos terremotos. Quem sabe o Brasil possa ficar mais “chileno” quando crescer.


Lucia Vasconcellos Abbondati & Lucio Abbondati Junior




Lucia Vasconcellos Abbondati é jornalista (SRTE nº 32.443/RJ), produtora cultural, palestrante, escritora, produtora e apresentadora de TV e rádio e consultora de linguagens simbólicas e arquetípicas.

Lucio Abbondati Junior é jornalista (SRTE/RJ nº 32.442), médico clínico geral, produtor cultural, palestrante, escritor, produtor e apresentador de TV e rádio e desenvolvedor de jogos de mesa estratégicos e pedagógicos.

Mais informações: www.oslucios.com.br ou pelo e-mail: oslucios@gmail.com
Tel: (21) 2714-9125 --- 2611-0732 --- 2611-4453

 

 

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